
Meu aceno anuncia que sou um homem que tem na alma a mesma força motriz dos planetas.
Hoje, depois de velho, sei que estive em busca da busca. Sou um cão de barriga cheia e que mesmo satisfeito vai atrás de um bife quando o fareja. Este cão que só é fiel a ele mesmo dorme tranqüilo com suas pulgas.
Um dia descobri como encontrar Deus: deixei a barba crescer e escalei uma montanha. Perguntei a ele coisas que não soube me responder. Deus tinha uma maçã na boca, mas eu bem que vi seu sorriso por trás da fruta. Com sua mudez me ajudou a compor meus próprios dez mandamentos que gravei na bandeja de prata de um bar. E foi assim que transformaram as minhas leis em canção que hoje toca no rádio dos carros mortos do ferro velho. Quando era menino vi um carro parado sangrando um laranja ácido e desde então neguei este destino.
Sou feliz, pois aprendi a rir com o espelho, enquanto via no retrovisor homens enforcados em gravatas de seda.
Certa vez, sonhei com grãos de bico voando no céu, mas o que almejo mesmo é atropelar o pôr do sol.
(Bárbara do Amaral escreveu este retrato em 1ª pessoa a partir do auto-retrato feito em colagem por Lucas R. Rey)
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“Sentimos vontade de muitas coisas
Sentimos vontade de ter um carro possante
Lindo, de cor vermelho, brilhante.
Sentimos vontade de voar,
Abrir os braços e deixar nossa mente
nas nuvens nos levar a sonhar.
Sentimos vontade de ir para lugares agitados
E às vezes, queremos apenas um cato sossegado.
Sentimos vontade de sorrir, pular e dançar
Sentimos vontade de nos divertir.
Temos vontade sermos receptivos, simpáticos.
E até mesmo antipáticos.
Sentimos vontade de escrever para despertar o coração.
Temos vontades e sonhos.
Está em nossas mãos tornar nossos sonhos e vontades em nossa realidade.”
(E este é o retrato em 3ª pessoa feito pelo próprio Lucas)




