terça-feira, 4 de junho de 2013

Storm King Art Center – o tio da América do nosso Inhotim



Inhotim - um dos lagos, ao fundo, à direita, "Invenção da cor", 
obra de Hélio Oiticica
(Foto: Adélia Nicolete)

Muitos de vocês conhecem ou já ouviram falar do Instituto Inhotim.
Localizado em Brumadinho, próximo a Belo Horizonte, é uma iniciativa pioneira no Brasil e tem atraído turistas do mundo todo, pois alia as belezas naturais da geografia mineira, com um jardim botânico bastante rico, a um instituto de arte contemporânea.


Arte e natureza integradas proporcionam uma experiência estética por vezes contrastante, mas equivalente em sua essência. Muitas das obras foram planejadas para compor com a paisagem ou para explorar determinada característica do terreno – uma antiga fazenda.
Quando o estímulo inicial não foi esse, é possível ao público elaborar a sua própria composição. Na imagem acima, para ficarmos em um só exemplo, a fotógrafa buscou, entre inúmeros ângulos, um que melhor relacionasse água, vegetação, arte, céu, luz, visitantes. Há, portanto, uma atividade não só de fruição do espaço, como também de criação por parte de quem visita o local.

Uma mistura de patriotismo e ignorância me faziam pensar que Inhotim era uma ideia original, só nossa. Porém, ao visitar o Storm King Art Center (SKAC), cuja fundação remonta aos anos 1960, percebi que acabara de conhecer um tio seu, bem distante.

Não se preocupem, dessa vez a postagem terá mais imagens do que texto - que deixarei pras legendas!




À esquerda "Mermaid", obra de Roy Lichtenstein
Diferente de Inhotim, que é bem mais adensado de obras, o SKAC prioriza a natureza. Há grandes espaços sem obra alguma e as diferentes estações - bem marcadas no hemisfério norte - proporcionam experiências diversas ao longo do ano. Essa imagem é do início da primavera.
(Foto: Adélia Nicolete)



Roy Lichtenstein - Mermaid - provavelmente no verão
(Foto: internet)




No início da primavera a vegetação ainda estava seca, mas cheia de brotos.
Visitar SKAC, em que época for, permite uma vivência que agrega ao deleite visual os cheiros, o som dos pássaros, os ruídos - inclusive o da auto-estrada que passa bem próximo -, as sensações térmicas e táteis em geral. 
O caminho asfaltado cortando a foto, além de permitir caminhadas e ciclismo, é usado pelo trem que faz um tour básico de apresentação. Gratuito, o trenzinho dispõe de uma gravação em áudio que comenta as obras na medida em que elas se aproximam. 
(Foto: Adélia Nicolete)





A montanha Storm King inspirou o nome da antiga fazenda que, a partir dos anos 1960, começou a abrigar cada vez mais obras de arte até que se tornou uma fundação. 
Distante mais ou menos 90 minutos de Manhattan, o parque está localizado em Mountainville, no vale do rio Hudson. Trata-se de uma área com mais de uma dezena de condados (municípios), conhecida justamente pelas mais de 500 atrações que oferece entre  museus, casas históricas, jardins, parques, festivais, espetáculos, centros culturais, etc.
(Foto: internet)




 Mark di Suvero - Bardersnatch - 1999-2010
A obra está emprestada ao Storm King Art Center. Há trabalhos que foram doados à Fundação, outros que foram adquiridos e são permanentes e outros ainda que são expostos apenas temporariamente.
Todos os trabalhos desse artista que estão no parque foram, feitos em aço e levaram anos para serem concluídos, sempre acompanhados de perto pelo autor, que também participava como operário.
(Foto: Adélia Nicolete)



Mark di Suvero - Pyramidian - 1987-1998
Obra adquirida pela Fundação Ralph E. Ogden, mantenedora do local.
Pyramidian tornou-se uma espécie de símbolo da ideia de integração entre terra, céu e arte, que preside o Storm King Art Center. Assim como as outras obras expostas, ela inspira em cada visitante a  criação de suas próprias imagens-obras, como na foto abaixo.
(Foto: Adélia Nicolete)



(Foto: Adélia Nicolete)



Alexander Calder - The arch
A escultura de Calder , assim como muitas outras, plantadas quase que definitivamente na paisagem, faz lembrar de duas das mais antigas referências dos parques de esculturas: os moais da Ilha de Páscoa, no Chile, e as pedras gigantes de Stonehenge, na Inglaterra.
(Foto: Adélia Nicolete)




Andy Goldsworthy - Storm King wall
Esse muro, que atravessa uma grande extensão do parque, adéqua-se à vegetação, chegando a "atravessar" o lago e ressurgir na outra margem, prosseguindo por mais um bom trecho.
Ele foi construído com pedras do local, retiradas de construções e é também uma das marcas registradas no SKAC.
(Foto: Adélia Nicolete)



a mesma obra, no inverno...
(Foto: internet)



... no verão...
(Foto: internet)



... e no outono.
(Foto: internet)



A quem se interessar, o site do museu oferece algumas informações históricas, bem como fotos, notícias e informações sobre a compra dos ingressos e das passagens de ida e volta. Um  ônibus de linha sai da estação de Port Authority, no centro de Manhattan. Há também um vídeo bem legal na janela "about".




Isamu Noguchi - Momo Taro -  1977-78
(Foto: internet)


Adélia Nicolete





13 comentários:

  1. O parque é um deslumbre, lindo demais... Estive em Inhotim uma única vez, mas a experiência não me sai da cabeça... bjs!!

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  2. Wallace! Que bom receber visita sua!
    Concordo com você. Lugares como esses ficam tatuados na memória da gente. Talvez porque permitem que tenhamos uma vivência integradora, que ultrapassa a simples visitação. Vivemos o parque, somos também o parque, fazemos parte da paisagem e compomos as obras e com as obras, recriando-as a cada olhar.
    Inhotim, pelo menos, está mais logo ali. Dá pra voltar com mais frequência! rsrs
    Beijos procê também!

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  3. Elaine Bombicini5 de junho de 2013 05:34

    Bom dia!!! Que viagens! Penso que o mundo deveria ter muito mais lugares assim, plenos de Beleza (e compaixão por nós reles mortais que seguimos ampliando o olhar para esse aspecto sutil do Belo, na Terra) e organização. Creio que nos antigamente ir aos Museus (às vezes um belo jardim) era o máximo que os seres tinham para projetar sua própria intenção de belo, hoje com o entendimento da mente e com a diversidade do mundo, eu sinto que esses espaços acabam de certa forma e muito peculiarmente conectando o Belo com o tal do Divino, acho que amplitude do espaço, quase um altar para algumas obras me fazem refletir sobre um céu que acolhe à todos numa religação bacana seja lá com o que for (dentro de cada um). Eu sempre imagino que seria muito bom ficar dias num espaço assim apenas captando (...)comungando com o infinito onde acredito: moram toadas as possibilidades! tá na lista Adélia e espero que possamos ir, brevemente e juntas :-) de preferência! Seu texto é generoso e inspirador, me despertou um carinho imenso pelas artes no dia de hoje (acho que estou emotiva demais...rsrs)e um desejo de que muitas pessoas possam ir de encontro a essa vivência! Um abração redondinho e com as bençãos do Arqueiro do Calder (adoro esse cara),
    Elaine Bombicini

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  4. Elaine, querida, comungo com a sua reflexão. Um trecho me fez lembrar de seus registros da Patagonia e do quanto aquela geografia também nos inspira!
    Beijos e obrigada pelo comentário!

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  5. Incrível este lugar! Ainda não visitei Inhotim mas agora fiquei curiosíssima, claro que a versão importada também! E realmente imagino que um lugar com tanta inspiração só pode nos inspirar, é a lei da atração, nos levar a outros níveis de pensamento, imaginação. Eu já gosto de ir no parque da Luz que tem meia duzia de esculturas, rs... Adorei a dica!

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  6. Ai, Babi, você é muito engraçada! Eu também gosto demais do Parque da Luz, que é sobrinho dos parques europeus, né? rsrs
    Então trate de conhecer Inhotim. Passe uns dois ou três dias lá, numa das pousadas próximas. É a melhor maneira de aproveitar tudo que é oferecido.
    Quanto ao SKAC é um programa super acessível. É só levar um bom lanche, porque a lanchonete de lá perde de 10 a zero para as do nosso parque mineiro. rsrs

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    1. Engraçada eu? Ai, ai, deve ser o convívio com Gabriel Granado! KKKK Falei do parque da Luz porque adoro as peças que tem lá, me provocam realmente. Vou me informar sobre Inhotim para visitar antes de ir a NY, que já vi que vou ter que repensar sobre ir no inverno! Beijão!

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  7. A mesma obra nas diferentes estações do ano: arte.
    Poder apreciá-la: privilégio.
    Valeu por compartilhar, Adélia!
    Bjo.
    Carla Silva

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  8. Carla, meu amor, você por aqui?!
    Não é milmaravilhoso o jeito com que a natureza interfere nas obras?! A proposta se transforma!
    Foi realmente um tremendo privilégio poder visitar o parque. Ou melhor, foi um milagre!

    Eu estava preparando o roteiro da viagem e selecionando os museus de arte contemporânea que me interessava. Do nada apareceram uns dois os três de que nunca ouvira falar! Resolvi, então, arriscar o SKAC, pois era mais próximo e tinha o acesso super facilitado.

    Ou seja, foi uma aposta praticamente no escuro, até porque ele tinha acabado de reabrir, com a chegada da primavera. Poderia chover ainda, ou estar aquele frio chato.

    Mas ao chegar lá, foi o bilhete premiado, Carlota! Por isso faço questão de compartilhar, que épra mais pessoas poderem conhecer e, quem sabe, visitar também.
    Bora fretar um vôo! rsrs

    Beijos, linda, obrigada pelo comentário.
    Adélia

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    1. Que legal tudo isso!
      Cada vez mais me convenço que poder estar em contato com a natureza e com a arte é um dos prêmios que recebemos da vida.
      Espero mesmo poder visitar esse museu um dia, e como disse a Carol, quando eu for, quero apenas "RESPIRAR"...
      Bjos!

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  9. Esse muro é bem humorado!! Que romantico esse museu! Quando a arte e a natureza estão falando juntas, até parece que chama a inspiração!!! Me deu a dimensão das coisas, sublime! O céu é grande e eu sou pequeninha! Fiquei me perguntando como essa proposta chegou: "Ocupem a natureza!""bata um papo com ela" E não é senão isso que fazemos? Ocupe seu corpo, preencha seu corpo... dimensão que o corpo ocupa no espaço. Criar universos, possiblidades, naturezas dentro das naturezas, tds reais e potemtes! Nossa, esse museu dá pano pra calças!!!!! Puts, viajei. Junto com vc. mas sem sair do meu lugarzinho!
    Inspira viver e respirar o ar do lugar, parece que é só isso que ele exige de bagagem, estar lá respirando
    Caroline Duarte

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Oi, Carol!
    Pela sua escrita deu pra perceber o quanto essas imagens e essas ideias acionaram a atriz, né?!
    Olha só que curioso. A gente percebe o aprofundamento e o desenvolvimento na trilha que escolhemos quando parece que tudo converge pra ela. Você foi capaz de trazer isso pro seu trabalho na cena.

    A conclusão a que cheguei foi exatamente essa: é um lugar para ser. Só isso. Andar, respirar e viver de um modo integrado e não fracionado como o que vivemos normalmente. Sem a correria das bienais, sem o mero consumo visual.

    Visite o site, mas pesquise imagens no google também. É ainda mais variado e inspirador.
    Boa viagem e obrigada pelo comentário.
    Beijos!

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